WALT DISNEY

Walt Disney foi um dos homens mais homenageados do mundo. Além dos 30 Oscars que ganhou da Academia de Hollywood, recebeu 900 prêmios, entre os quais condecorações oficiais, medalhas de ouro, troféus e citações de organizações americanas e de outras nacionalidades, jornais, revistas, igrejas e do Governo dos Estados Unidos. Embora nunca houvesse concluído o curso secundário, recebeu títulos de doutor honoris causa de cinco universidades. Sua candidatura ao cargo de Governador do Estado da Califórnia foi insistentemente cogitada durante algum tempo.

Falecido aos 65 anos de idade, Walt Elias Disney – um rapaz do interior do Estado de Misúri, que tinha jeito para fazer desenhos fantasiosos de animais – tornou-se há muitos anos rico e prestigioso. Chefiou um império que se estende dos estúdios em Burbank, na Califórnia, a todo o mundo civilizado. Compreende esse império desenhos animados, filmes de ação ao vivo, filmes naturais, discos, música, livros e revistas e histórias em quadrinhos publicadas em 1000 jornais. O camundongo (cujo apelido Mickey foi dado pela esposa de Disney) é a caricatura mais conhecida em todo o mundo. Na década de 1950, Disney invadiu a televisão e sem demora conquistou o mais numeroso público entre as famílias. Fez 26 novos programas de televisão por ano até à sua morte em dezembro de 1966.

A Disneylândia, talvez a mais famosa criação de Walt, começou com o que seu irmão Roy chama uma das “idéias malucas de Walt”. Disseram-lhe que ele não estava em seu juízo perfeito.

– Quer construir um parque de diversões? – perguntou Roy.

– Não propriamente – respondeu Walt. – Tem de ser… assim, uma espécie de Disneylândia.

A idéia tinha estado na cabeça de Disney desde os meados da década de 1930, quando ele começou a levar as duas filhas aos parques de diversões, que achou “sujos, impróprios e dirigidos por gente de aspecto truculento.” Nenhum dos muitos freqüentadores parecia absolutamente divertir-se.

– Era evidente que havia necessidade de uma coisa nova – disse ele.

Quando a Disneylândia abriu as portas em 1955, representava um investimento de 17 milhões de dólares. Atualmente cerca de cinco milhões de visitante deixam anualmente no parque uma quantia quase três vezes maior. A idéia maluca se tornou uma mina de ouro e uma das “cidades” mais conhecidas dos Estados Unidos.

O “gênio de Disney” e o “adorável toque Disney” eram inconfundíveis – e inimitáveis em tudo que ele criava. Mas que gênio era esse? Se ele não fazia pessoalmente uma caricatura sequer nem um único filme, em que consistia precisamente o seu gênio?

Acontece que gênio é coisa complexa. Disney era de estatura mediana, com grandes mãos nervosas e olhos que às vezes pareciam fitar lugares remotos e secretos. Estava sempre no estúdio – 8h30m às 19h30m – e raramente tirava férias de verdade. Por isso, como disse certa vez seu irmão Roy, presidente da companhia de Disney: “Walt sabia em qualquer momento o que estava acontecendo em todos os cantos deste estúdio.” E, em qualquer fase de qualquer disto? Ou: “Parece ótimo. Vamos ver a reação de Walt.”

O estúdio parecia uma cena de alucinação altamente organizada – como se figuras da Arca de Noé, de um préstito carnavalesco e refugiado de um centro de cultura física se tivesse soltado no pátio de um colégio interno. No dia em que lá estive, vi pela porta aberta da oficina um pterodátilo que, piando e batendo as asas, dava incessantemente voltas pelo teto, preso por um fio. Estava sendo experimentado para figurar num stand da Feira Mundial. Perto dele, um dinossauro de tamanho natural, com um riso idiota na cara, comia um punhado de verde grama pré-histórica, de matéria plástica. Muita gente corria de bicicleta, desviando-se do que parecia – e era – metade de um gorila de plástico numa carreta empurrada a mão.

O mais surpreendente de tudo é que ninguém se surpreendia com coisa alguma – salvo alguns visitantes, Imaginação ilimitada – era o sangue de Disney.

Disney tinha olhos curiosamente dotados – olhos que não viam nos objetos circundantes nenhuma das coisas que o resto de nós vemos. Nos tubos de um órgão ele viu certa vez todo um conjunto coral com caras cantando. O resultado foi uma das cenas mais memoráveis de Branca de Neve e os Sete Anões. E não só caras ele via nos objetos inanimados. Também via personalidades, sentimentos, em outras palavras, personagens. Assim, para Disney, um açucareiro – um açucareiro azul, modesto e simples – era uma criatura presumida tão fátua como um cabo que acabava de ganhar as divisas.

Disney foi ainda mais famoso pelo seu dom de dar feições humanas e animais. Não é coisa tão simples como fazer um gato cortar a carne com garfo e faca – que é o que outros autores de desenhos animados fizeram. Uma das máximas de Disney era a seguinte: “Quando se faz fantasia não se deve perder de vista a realidade.” Embora uma seqüência possa mostrar uma avestruz dançando balé com sapatos de bailarina, ele insistia em que a avestruz devia dançar de uma maneira que sugerisse os seus movimentos na vida real – de tal modo que o público dissesse: “É assim mesmo que uma avestruz poderia dançar.” Para conseguir esses efeitos autênticos, Disney mandava os seus animadores passarem horas andando pelos jardins zoológicos ou assistindo a filmes de animais selvagens no seu meio natural.

Disney possuía também um ouvido dotado do poder de ouvir como os animais falavam. Centenas de atores foram ouvidos em busca da voz exata para Arquimedes, a coruja que aparece em A Espada Era Lei , um desenho de longa metragem de Disney. Ele queria que Arquimedes falasse como falaria uma coruja se pudesse falar. Dizia repetidamente que podia “ouvir” a voz de Arquimedes. Por fim, falaram-lhe num ator chamado Junius Mathews, que havia feito a voz de uma batata num programa de rádio.

– De uma batata? – disse Disney. – Quem é capaz de falar como uma batata pode falar como uma coruja. Tragam-no aqui.

Mathews apareceu, falou como uma coruja e foi contratado.

Assim, o indefinível toque de Disney não era tanto um toque como uma tendência mental – uma maneira especial de ver, pensar e “sentir os seres humanos, ou não, com os quais ele trabalhou. Graças a isso, todos os outros elementos do drama – fantasia, situação cômica, patético, suspense, surpresa – adquiriam nova dimensão.

Tudo o que Walt Disney fez era essencialmente sadio. Por isso chegou a ser rotulado de meloso e excessivamente sentimental. Sempre se mostrava moralista nos seus filmes. No fim, o bem triunfava sobre o mal. O amor, quando aparecia, era puro e bom. “já há no mundo tanta coisa horrível e tanto cinismo”, dizia ele, “que um acréscimo da minha parte é desnecessário.” Gostava de saber que os pais, vendo o seu nome num filme, teriam confiança.

No mundo cheio de divórcios e escândalos de Hollywood, os Disney foram o contrapeso no outro prato da balança. Lillian Disney que Walt conheceu e desposou em 1925 – quando ela era um dos seus dois animadores a 15 dólares por semana no estúdio recém-aberto – é uma mulher pequena e jovial. Ajudou Walt nos seus assuntos comerciais e lia romances e contos de revistas à procura das suas possibilidades cinematográficas. Mas vivia muito satisfeita de não compartilhar com ele o fulgor da publicidade.

A crítica mais grave feita a Disney é que ele absorvia as pessoas como uma esponja gigantesca, apoderando-se de todo o talento e competência do seu excelente pessoal, para assinar apenas o nome “Walt Disney” e assumir o mérito da “criação” de tudo, quando era a organização que fazia o trabalho. Todavia, como tudo que se fazia passava pelo filtro de seus olhos, de seus ouvidos, de seu gosto e personalidade, tudo que saía dos estúdios tinha a sua marca pessoal. O talento dos seus colaboradores (como eles próprios reconhecem) ficava suspenso em solução química; acrescentava-se Walt, o catalisador, era então que se formavam os brilhantes cristais.

Walt Disney nasceu em Chicago, no dia 5 de dezembro de 1901. Era um dos cinco filhos de Elias Disney e flora Call Disney (quatro homens e uma mulher).

Depois do nascimento de Walt, a família Disney mudou-se para Marceline, Misúri, onde Walt viveu a maior parte da sua infância. Walt demonstrou desde muito novo seu interesse pela arte. Para fazer dinheiro extra, vendia, com freqüência, desenhos aos seus vizinhos.

Estudou arte e fotografia, tendo ingressado na High School de Mckinley, em Chicago.

Em 1918, durante a primeira grande guerra, Disney tentou alistar-se no serviço militar, mas foi rejeitado devido ter apenas 16 anos na época. Walt ofereceu então os seus préstimos à Cruz vermelha, tendo sido enviado para França, onde permaneceu um ano guiando uma ambulância a qual, em vez de ostentar uma camuflagem normal, esta coberta por desenhos seus.

Após o seu regresso de França, iniciou com uma pequena companhia chamada Laugh-0-Grams, a sua carreira em arte comercial. Devido ao pouco sucesso que obteve com esta empresa, resolveu então rumar a Hollywood …

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