PONTOS DE VISTA REPRESENTATIVOS DO SELF E DO EGO

                                                                        O SELF E O EGO DE SYMONDS

 

Um bom ponto de partida se encontra no opúsculo de Symonds denominado The ego and the self (1951). Seguindo a teoria psicanalista, ele define o ego como um grupo de processos tais como percepção, pensamento, lembrança, que são responáveis pelo “desenvolvimento e execução de um plano de ação para satisfazer os impulsos inatos”; e o self, como a maneira pela qual o indivíduo reage a sim mesmo. O self consiste de quatro aspectos:

1 – como a pessoa percebe a si mesma;

2 – o que ela pensa de si mesma;

3 – como se avalia;

4 – como, através de várias ações, ela tenta se realçar ou se defender.

Symonds mostra que nem sempre a pessoa pode estar consciente dessas percepções, concepções, avaliações e reações defensivas. Conscientemente, uma pessoa pode ter um conceito de si mesma e, incoscientemente, ter uma opinião contrária. Pode não estar consciente de fato de estar em atitude defensiva quando se percebe de certo modo. Symonds previne o leitor contra a aceitação daquilo que uma pessoa diz a respeito de si própria como representação precisa de esntimentos reais. Nesse sentido cita experiência de Wolff (1933,1935) e Huntley (1940), que mostram que a avaliação consciente do self não concorda, necessariamente, com a avaliação inconsciente.

Symonds acredita que há uma intenção considerável entre o self e o ego. Se os processos do ego se relacionam perfeitamente com as necessidades internas e a realidade exterior, a pessoa tende a pensar bem de si mesma. Portanto, quanto maior é a auto-estima, melhor será o funcionamento dos processos do ego. Em geral, o valor do ego deve, primeiramente, ser demonstrado, para que a pessoa possa ter auto-estima e autoconfiança.

                                                     O SELF FENOMENAL DE SNYGG E COMBS

Snygg e Combs consideram-se fenomenologistas, pois acreditam que “todo comportamento, sem exceção, está inteiramente em função do campo fenomenológico, onde o organismo atua.” O campo fenomenológico consiste da totalidade de experiências das quais a pessoa toma consciência no momento da ação. Essa tomada de consciência pode variar de um nível mais baixo a um mais elevado, embora se presuma que nunca possa chegar a ser completamente inconsciente. Eles acreditam que a psicologia precisa aceitar a idéia, comumente propalada, de que a consciência é a causa do comportamento, e que o que a pessoa pensa e sente determina o que irá fazer.

O self fenomenal diferencia-se do campo fenomenológico. Este self fenomenal “inclui todas as partes do campo fenomenológico que o indivíduo experimenta como parte ou característica de si mesmo.” A primeira vista poderá parecer que o self  fenomenológico de Snygg e Combs é uma variedade do conceito do self-como-objeto mas uma análise mais detalhada revela que o self fenomenólogico é tanto objeto como agente. É agente por ser também um aspecto do campo fenomenólogico que determina todo o comportamento. É objeto porque ele consiste de experiências próprias. Portanto, o self de Snygg e Combs é objeto e agente ao mesmo tempo.

Em comunicação pessoal aos autores, Combs estabelece sua posição quanto a empregar o self com este duplo aspecto de objeto e de processo.

                                               “Parece-me que isto é muito possível, aliás, é a caracteristica de todas as coisas que conhecemos no mundo da ciência, isto, é,

                                                que toda organização é composta de certas partes e, ao mesmo tempo, afeta as organizações circunvizinhas. Assim, uma

                                                rocha é feita de certas moléculas e, por isso, é um produto. Pela sua própria existência, a pedra produz efeito sobre o meio

                                                que a cerca e no qual existe, sendo, por isso, também um processo ou uma dinâmica. De igual modo, o self é composto de

                                                percepções relativas ao indivíduo, e a organização dessas percepções, por sua vez, produz efeitos vitais sobre o

                                                comportamento do indivíduo.”

                                                                     O SELF SUBJETIVO DE LUNDHOLM

Lundholm (1940) fêz uma distinção prática entre o self subjetivo  e o self objetivo. O self subjetivo consiste daqueles símbolos, como por exemplo, as palavras, em função dos quais o indivíduo toma consciência de si mesmo, enquanto que o self objetivo consiste de símbolos através dos quais outros descrevem o indivíduo. Em outras palavras, o self subjetivo é o que a propria pessoa pensa de si, e o objetivo o que as outras pessoas pensam dela. Lundholm mostra que a figura do self subjetivo não é fixa, mas possui certa elasticidade, em função de fatores tais como cooperação e conflito com outros, e do grau de esforço necessário para efetuar determinado trabalho. Lundholm não faz menção do ego.

                                                          O EGO DE SHERIF E CANTRIL

No seu livro The psychology of ego-involvements (1947), Sherif e Cantril definem o ego como uma constelação de atitudes do tipo “o que eu penso de mim, o que eu valorizo, o que é meu e com que eu me identifico.” Com isso, definem o ego como um self-como-objeto e não como o ego ativo da teoria psicanalista. Eles asseguram que “à parte a constelação dessas atitudes do ego, não existe outra entidade que seja considerada como tal.” Segue-se daí que seu ego é algo mais que um self-como-objeto, pois o ego, envolvendo-se, motiva o comportamento. Todo o livro está repleto de estudos e exemplos do ego-como-objeto. Sherif e Cantril sustentam que, quando as atitudes do ego (self) são a ivadas, dinamizam, dirigem e controlam o comportamento da pessoa. Existem outros motivos do não-ego que realizam a mesma coisa, mas uma das principais teses do livro é que as atitudes do ego são motivadores mais efetivos do comportamento do que os motivos do não-ego. Assim, quando se indica uma tarefa a uma pessoa ela a fará de maneira mais ou menos perfunctória, a menos que as atitudes do ego sejam incentivadas. Se ela sente, por exemplo, que dessa realização depende sua autovalorização ela fará um esforço maior. Pode parecer decepcionante para os leitores do livro, que Sherif e Cantril não tenham feito uma clara diferenciação entre o self-como-objeto e o ego-como-processo. 

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