A LINGUAGEM CINEMATOGRÁFICA

 

A LINGUAGEM CINEMATOGRÁFICA

Entendemos por linguagem cinematográfica os termos técnicos usados pelos que trabalham em cinema e TV, de forma que possam obter uma uniformidade de comunicação. Infelizmente, não existe uma padronização definitiva para os diversos termos. Algumas vezes, um determinado nome para um plano pode ter um outro nome em países e lugares diferentes. Por exemplo, o equipamento utilizado para movimentar a câmara em um determinado plano chama-se dolly. Porém, é comum chamar dolly de carrinho ou mesmo de travelling, que é o nome de um determinado movimento de câmara.

DIESEGE – Ação temporal do filme, ou seja, existe sempre que houver mudança de tempo, longa ou curta, na estrutura do filme. Exemplo de diesege curta: sempre que há um corte de um plano para outro, subentende-se um determinado espaço de tempo. Exemplo de diesege longa: quando, de um plano para outro, a ação se passa em dias, semanas, meses ou mesmo anos.

ELIPSE – Supressão de um ato dramático, o qual será resolvido posteriormente. Ex.: Um homem atira em um outro, focalizando-se o disparo do revólver. Após um fade, vê-se em um enterro a esposa do homem baleado, levando o espectador a deduzir que o tiro matou o personagem, ainda que isso não tenha se explicitado na tela.

o fade in – imagem surgindo

o fade out – imagem desaparecendo

FOCO DRAMÁTICO – Entendemos por foco dramático o ponto ou ação de uma cena a que se quer atrair a atenção do espectador. A atenção do espectador será voltada para os seguintes pontos:

· o personagem que estiver falando;

· o personagem que se movimentar (num grupo de pessoas, a que se movimentar terá a atenção do espectador);

· personagem mais bem iluminado ou com roupa mais clara;

· personagem em foco;

· personagem em primeiro plano;

· ponto brilhante na cena mais escura e ponto escuro em uma cena brilhante.

O diretor poderá utilizar outros recursos para atingir os seus objetivos, como cenografia, perspectivas, luz lentes, ângulos de câmaras etc.

PLANO (SHOT) – Plano é a imagem entre dois cortes, ou seja, o tempo de duração entre ligar e desligar a câmara a cada vez. Usado pelo diretor para descrever como o filme será dirigido, è a menor unidade narrativa de um roteiro técnico. A câmara pode estar parada ou em movimento, podendo-se também alcançar a sensação de movimento através da alternação do foco da lente ou com a lente zoom. O tempo de duração de cada plano varia com as necessidades dramáticas de cada cena e a preferência do diretor.

Na filmagem de um longa-metragem, a média é de 15 a 20 planos/dia. Em TV, 30 a 40 planos/dia, e num seriado para TV filmado em 16 mm, 20 a 30 planos/dia. Num filme de ritmo normal, a média varia entre 500 e 600 planos. Nos de ação, 900 planos ou mais.

CENA – É o conjunto de planos.

SEQÜÊNCIA – É o conjunto de cenas. Uma seqüência tem início, meio e fim. A seqüência de um casamento, por exemplo, pode ser formada pelas cenas do pedido do casamento num restaurante; a cena da mulher numa loja comprando o vestido de noiva; em casa provando o vestido; o noivo num bar na festa de despedida de solteiro; o noivo esperando na igreja; a noiva chegando; a cerimônia do casamento; a saída na porta da igreja; terminando com o carro partindo com os noivos.

Mal comparando com um livro, podemos dizer que: a) um plano é uma palavra; b) um conjunto de planos (cena) é uma frase; c) um conjunto de cenas (seqüência) é um capítulo.

TOMADAS (TAKES) – É o número de vezes que o plano será repetido. Um plano poderá ter uma ou quantas tomadas o diretor achar necessário até estar satisfeito.

O plano é a forma como o diretor narra o roteiro. Os planos normalmente usados em cinema e televisão são:

PLANOS:

GRANDE PLANO GERAL (GPG) – Planos bastante abertos, servindo para situar o espectador em que cidade a cena se desenvolve.

PLANO GERAL – Planos utilizados para mostrar o prédio ou casa onde a cena se desenvolve.

PLANO GERAL ABERTO (PGA) – Utilizado para mostrar cenas localizadas em exteriores ou interiores amplos, mostrando de uma só vez o espaço da ação.

PLANO GERAL FECHADO (PGF) – Utilizado para mostrar ação do ator em relação ao espaço cênico.

PLANOS DE SITUAÇÃO (STABLISHING SHOTS) – São assim chamados porque localizam o espectador no espaço cênico. Quando mudamos de uma cena em exterior, e cortamos para o interior de um prédio onde em uma das salas uma ação se desenrola, é recomendável um plano geral do exterior do prédio, para situar o espectador no ambiente em que se desenrola a cena. Outro exemplo: em uma cena de uma pessoa sentada em um banco de parque, usamos primeiro um grande plano geral do parque.

PLANO INTEIRO (PI) – O personagem é enquadrado da cabeça aos pés, deixando um pequeno espaço acima da cabeça e abaixo dos pés.

PLANO AMERICANO (PA) – O personagem é mostrado do joelho para cima, tendo sua origem nos westerns americanos, com a função de mostrar a cartucheira do revólver na cintura.

PLANO MÉDIO (PM) – O personagem é enquadrado da cintura para cima. É muito usado para mostrar o movimento das mãos do personagem.

PLANO PRÓXIMO (PP) – Também é chamado de primeiro plano. Nele o personagem é enquadrado do busto para cima, dando maior evidência ao ator, servindo para mostrar características, intenções e atitudes do personagem.

CLOSE (CL) – Também é chamado de primeiríssimo plano. Mostra o rosto inteiro do personagem, do ombro para cima, definindo a carga dramática do ator.

SUPERCLOSE (SCL) – Close fechado do rosto do ator, enquadrando o queixo e o limite da cabeça.

DETALHE (CUT UP) – Mostra parte do corpo, como detalhes da boca, da mão etc. É usado também para mostrar objetos.

Sempre que possível, é recomendável o uso de tripé, com uma boa cabeça de movimento hidráulico. A câmara deve estar preferivelmente na altura do ponto de vista do narrador.

OUTROS PLANOS

PLANO MASTER – De um determinado ponto, a câmara fixa acompanha, girando em seu próprio eixo, todo o desenrolar da cena e depois se fazem os outros planos que o diretor achar necessários, usando outras posições de câmara e lentes. O plano máster diminui o risco de erros de continuidade de edição; porém, usado indiscriminadamente, aumenta o consumo de negativo e tempo de filmagem.

PLANO-SEQÜÊNCIA – Plano de toda a cena, com a câmara deslocando-se no espaço cênico (câmara na mão, carro, steadycam, Dolly etc.). Toda a seqüência é rodada em um único plano.

PLANO DE CONJUNTO FECHADO – Plano em que enquadramos dois atores com a mesma função dramática.

PLANO DE CONJUNTO ABERTO – Enquadra três ou mais atores com a mesma carga dramática.

CÂMARA SOBRE O OMBRO (OVER SHOUDER – OS)

PLONGÉE – Câmara de cima para baixo

CONTRAPLONGÉE – Câmara de baixo para cima.

CÂMARA SUBJETIVA – É quando o espectador ou ator tem o ponto de vista da câmara, ou se move no lugar dela. Muito utilizada em cenas de deslocamento do ator, em que a câmara na mão do operador assume o ponto de vista do ator em movimento.

PLANOS NEUTROS – São aqueles que usamos para modificar a direção da ação ou criar uma situação inesperada, ou ainda para mudar o eixo de câmara. Exemplos:

· Plano frontal – Neste caso, o ator está falando diretamente para o espectador. Plano bastante usado em telejornalismo.

· Cut in – É um close dentro da ação filmada. Ex.: um close nos pés de um ator caminhando em direção à câmara, permitindo cortar para ele caminhando em outra direção.

· Cut away – É um plano ou close de outra ação interligada a ela, usado pelos mesmos motivos do CUT IN.

· Plano zenital – Tomada feita a 90º diretamente sobre a cabeça dos atores.

· Raccord no eixo Plano fechado complementando uma determinada ação no próprio eixo. Ex: plano médio de um homem abrindo a porta, seguido de close no próprio eixo de câmara do plano anterior.

PLANOS EM MOVIMENTOS

· TRAVELLING – A câmara inteira se desloca sobre uma plataforma (Dolly), indo para frente ou para trás, podendo também fazer curvas. Esses movimentos podem ser conjugados com os movimentos da câmara em si, movimentando-se sobre seu próprio eixo para cima ou para baixo, ou esquerda e direita.

· STEADYCAM – Equipamento acoplado ao corpo do câmara, permitindo manter a câmara estável, independentemente do seu deslocamento.

· CÂMARA NA MÃO – Usada em casos específicos em que queremos acentuar uma ação simulando o movimento de deslocamento do ator. Ex.: ponto de vista do personagem correndo por uma mata.

· GRUA – Equipamento similar ao Dolly, consistindo em um longo braço balanceado por contrapesos, atingindo alturas maiores.

· PANORÂMICA – Movimento da câmara sobre seu próprio eixo, no sentido da esquerda para a direita ou vice-versa.

· TILT – O mesmo movimento anterior, só que de baixo para cima e vice-versa (também chamado, comumente, de panorâmica de cima para baixo).

· ZOOM OUT e ZOOM IN – Lente mais usada no telejornalismo, pois o que mais importa é a clareza do objeto filmado, do qual nem sempre podemos chegar perto. A diferença entre a zoom e o carrinho é que a zoom traz ou afasta o objeto no espaço cênico em relação à câmara, e o carrinho desloca-se no espaço cênico em direção ao objeto em questão ou Del se afastando. Nos movimentos de zoom, o espaço cênico é maior ou menor durante o seu movimento do que no deslocamento do carrinho.

FOCOS DE LENTES – Podemos também simular movimento de câmara simplesmente deslocando o foco da lente de um personagem para outro num plano inferior.

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