Análise Fílmica

FILME DÉJÀ VU

4-UMA VISÃO DO TEMPO

A concepção de tempo tem sido muito discutida desde o inicio da cultura ocidental. Parmênides (530 – 460 a. c.) defendia o ponto de vista de que todas as transformações que observamos no mundo físico resultam da nossa percepção. A realidade para esse filósofo seria ao mesmo tempo indivisível e destituída de tempo.

Já Platão (427 – 348 a. c.) afirmava que o tempo nasceu quando um ser divino colocou ordem e estruturou o caos primitivo. Segundo Platão o tempo tem uma origem cronológica, e procura estabelecer a distinção entre o “Ser” e o “Não Ser”. O mundo do “Ser” é fundamental e não esta sujeita a mutações, e é eternamente o mesmo, e este mundo é os das idéias, apreensível apenas pela inteligência e pode ser entendido utilizando-se a razão. O mundo do “Não Ser” é irreal para Platão e faz parte das sensações que são irracionais porque depende somente de cada pessoa.

O domínio do tempo estaria nesse segundo mundo, assim como tudo o que se observa no universo físico, tendo assim uma importância menor. Para Platão o tempo não existe, uma vez que faz parte do mundo das sensações.

Na filosofia oriental o tempo, bem como o espaço são construções da mente humana.

Entretanto Aristóteles considerava o tempo intrínseco no Universo. Na filosofia dele o mundo existia na forma de um modelo cosmológico geocêntrico (a terra estática no centro dos outros astros). Aristóteles, como a maioria dos pensadores gregos da época, não acreditava na idéia de um momento inicial da criação do Universo, que foi dado para o mundo ocidental pela tradição judaico-cristã.

Esta questão de tempo cíclico ou não cíclico aparece como uma das questões relativas às características do tempo desde as origens da ciência ocidental. Esta idéia apareceu naturalmente em função dos inúmeros fenômenos periódicos na Natureza: as marés, as estações sazonais, os dias sucedendo as noites, e assim por diante. Esses fatos conhecidos desde as civilizações mais antigas, sendo evidentes fenômenos cíclicos, levaram as civilizações primitivas, bem como os pensadores da antiguidade a imaginarem que o tempo também seria circular, ou seja, a natureza evoluiria de forma a se repetir.

Para os gregos o tempo deriva também da idéia de perfeição, sempre presente na filosofia natural grega. Essa idéia induziu-os a escolha de um círculo, uma figura para representar a trajetória dos corpos celestes.

Em física, Aristóteles, afirma que ‘existe um círculo em todos os objetos que tem um movimento natural. “Isto deve ao fato de os objetos serem discriminados pelo tempo, ou seja, o início e o fim estando em conformidade com um círculo, porque até mesmo o tempo deve ser pensado como circular.”

Os estóicos, pensadores, acreditavam que sempre que os planetas voltassem a sua posição original, seria o início do tempo cósmico, o Universo recomeçaria de novo.

Já os Maias da América Central acreditavam igualmente num tempo cíclico. A história se repetiria depois de um período de 260 anos.

A idéia de um tempo linear, sem retornos, parece ter sido defendida apenas pelos hebreus e os persas zoroastras. Essa filosofia foi incorporada pelos cristãos.

Os cristãos introduziram a crença em acontecimentos bíblicos, como o da crucificação e da ressurreição de Cristo. Estes fenômenos não se repetem. Também o apocalipse descreve o fim de um mundo, indicando que haverá o encerramento de um ciclo que não se repetirá mais.

No século IV Santo Agostinho, o filósofo cristão, respondia a indagação sobre o que é o tempo da seguinte forma: “Se ninguém mo perguntar, eu sei; se o quiser explicar a quem me fizer à pergunta, já não sei.” O filósofo divagou sobre o conceito do tempo nos seguintes termos: “ouvi dizer a um homem instruído que o tempo não é mais do que o movimento do Sol, da Lua e dos astros. Não concordei! Porque não seria antes o movimento de todos os corpos? Se os astros parassem e continuasse a mover-se a roda do oleiro, deixaria de haver tempo para medirmos as suas voltas? Não poderíamos dizer que estes se realizaram em espaços iguais, ou, se a roda umas vezes se movesse mais devagar, outras depressa, não poderíamos afirmar que umas voltas demoravam mais, outras menos?”

O fato é que a questão da realidade do tempo levou vários filósofos a elaborarem idéias a respeito da mesma. Para Kant (1724-1804), por exemplo, o tempo, apesar de ser essencial como parte da nossa experiência, e destituído de realidade: “tempo não é algo objetivo. Não é uma substância, nem um acidente, nem uma relação, mais uma condição subjetiva, necessariamente devida à natureza da mente humana.”

Para essa teoria do subjetivismo do tempo é negar a sua realidade. Essa negação se encontra em trabalhos de filósofos tão antigos quanto Parmênides e Platão, como mais recentes como Hegel (1770 – 1831) e Spinoza (1632 – 1677).

O físico, Boltzmann, que viveu entre 1844 e 1906 atacou a visão subjetiva do tempo e as complicações introduzidas pelos filósofos.

O tempo continua sendo um mistério para a humanidade e ainda é assunto de debates entre os filósofos e cientistas.

Santo Agostinho e tantos outros filósofos tiveram dificuldades em definir o tempo, na verdade, também existe na definição do espaço, pois ambos são conceitos adquiridos por vivência, e que em ciência são identificados como conceitos primitivos. Na ciência a aceitação de um conceito primitivo o torna real. A ciência moderna identifica as características e realiza medidas relativas ao tempo.

A ciência tem se preocupado com várias indagações sobre o tempo, algumas que são feitas também pelos filósofos: se o tempo é absoluto, se é finito ou infinito, por que ocorre somente numa direção, e até se seria possível “viajar” no tempo.

Conforme as palavras de Newton: “o tempo absoluto, verdadeiro e matemático, por si mesmo e por sua própria natureza flui igualmente sem relação com nada de externo, e com outro nome, o chamado de duração.”

O tempo é absoluto também no sentido que dois eventos simultâneos, ou seja, que ocorrem no mesmo instante para um observador o serão para qualquer outro observador inercial, ou seja, independente do movimento de velocidade relativa constante de um em relação ao outro.

Entretanto, dependendo das velocidades envolvidas no movimento, e das dimensões reais do corpo que se movimenta, os conceitos de tempo e de espaço, não são exatamente como os que discutimos acima.

Se verificarmos a teoria de Einstein, que descreve fenômenos de partículas com velocidades próximas da luz, veremos que a grande mudança que aparece em decorrência do princípio da constância do modulo da velocidade da luz, para quaisquer referenciais em movimento de velocidade relativa constante, é o conceito de tempo. Os instantes em que ocorrem os eventos e os intervalos de tempo que estes eventos duram, deixam de ser independentes do referencial inercial que os observa, passando a depender da coordenada paralela a velocidade onde o evento ocorre. Este fato é nada intuitivo para quem, como nós, não temos vivência com velocidades próximas à da luz.

Em relação às características do tempo, cabe a discussão se ele é cíclico ou não cíclico. Há uma teoria atual que propõe que o Universo é fechado no sentido que ele passa por ciclos de expansão e contração que se repetem. Não se poderia dizer, com o conhecimento de hoje, quantos ciclos precederam a este que conhecemos, que é um ciclo de expansão. Dentro desta visão de Universo, ele passará no futuro, como já ocorreu no passado, por uma contração. Esta teoria tem um aspecto cíclico no tempo, no sentido que os acontecimentos fundamentais no universo ocorrem ciclicamente. Já pela teoria do Universo aberto ele se expandiria eternamente, e o tempo de existência da matéria e de tudo que há nele seria finito.

No campo da Astronomia o fenômeno periódico natural que evidência a marcação do tempo para os humanos é a existência do dia e da noite, ou seja, o nascer e por do sol para quem está na superfície da Terra. Como sabemos esse fenômeno está relacionado ao movimento periódico de rotação da Terra em torno de seu eixo. As quatro estações sazonais são outro fenômeno natural que serve para marcar o tempo. Outros fenômenos periódicos podem ser utilizados para elaboração de um calendário. Os calendários se constituem em sistemas voltados para um recenseamento de forma racional do tempo, de acordo com os principais ciclos astronômicos, facilitando a organização das atividades humanas. Podem-se destacar três tipos de calendários: o calendário lunar, o calendário solar e o misto, ou seja, que tem divisão lunar e solar, como é o caso do calendário hebreu.

Aos egípcios é dado o crédito do mais avançado calendário da antiguidade, pois a ele se deve a divisão do dia em 24 horas (do por do sol ao por do sol). O intervalo de uma hora que seria o intervalo de tempo médio desde o instante em que uma estrela surge no horizonte até sua total aparição nos céus.

O calendário atual tem suas origens no calendário romano. Os romanos utilizavam um mês lunar e por isso tinham de inserir, com muita freqüência, um mês extra para fazer a correção necessária para completar o ano solar. Além de ser muito confuso, esse calendário provocou distorções na periodicidade. Por ocasião do reinado de Júlio Cesar os meses do inverno estavam coincidindo com as características do outono. O calendário estava, pois, defasado de três meses, aí Julio Cesar introduziu no ano de 46 a.C. um calendário que procurava corrigir essas distorções. O calendário ficou conhecido como calendário Juliano, e instituirá o ano bissexto a cada quatro anos e elevava para 365,25 dias o ano médio Juliano. A partir dessa reforma, os doze meses passaram a ter a duração que tem hoje. Para efetuar a correção necessária na época, o ano de 46 a.C. teve uma duração de 445 dias. O calendário Juliano reduziu drasticamente as dificuldades com o calendário romano, mas não as eliminou por completo. O problema é que a duração do ano solar, isto é, o tempo para o Sol completar um ciclo no seu movimento aparente, é em média de 365, 2422 dias. Sendo o ano do calendário Juliano composto por 365,25 dias, era cerca de 10 minutos e 14 segundos mais longo do que o do ano solar. Na medida em que os anos se sucediam a diferença se tornava de novo perceptível. Por volta do ano de 1582 essa diferença já era de semanas.

O calendário atual é chamado de calendário gregoriano, porque foi estabelecido pelo Papa Gregório XIII em 1582. Ele difere do calendário Juliano apenas no fato de que os anos que completam um século, os chamados anos seculares, não serem bissexto, exceto quando o número de séculos for divisível por quatro. A diferença entre o ano gregoriano e o ano solar é desprezível. Para fazer essa correção, o Papa Gregório teve que designar o dia seguinte ao dia 4 de outubro de 1582, por dia 15 de outubro, em vez de dia 5. O calendário gregoriano, entretanto, gerou desconfiança. Os protestantes relutaram em aceitá-lo. Na Inglaterra o calendário gregoriano só substituiu o Juliano no ano de 1752. As igrejas ortodoxas só adotaram o calendário Gregoriano em 1924.

Os fenômenos astronômicos são assim instrumentos de medida de tempo, ou seja, são de certa forma relógios, mas relógios imprecisos. Os intervalos de tempo entre um nascer do Sol e outro, por exemplo, variam num mesmo local conforme as estações sazonais; e por outro lado o intervalo de tempo entre o nascer e o por do sol numa mesma estação, varia também de uma posição geográfica para outra. A seguir trataremos dos instrumentos de medida de tempo necessários nas ciências físicas.

Na verdade, sendo os instrumentos de medida de tempo baseados em fenômenos periódicos, mesmo em condições usuais (baixas velocidades em relação a velocidade da luz e longe das regiões de campo gravitacional intenso) se apresenta a dúvida se os intervalos de tempo marcados por um dado instrumento são de fato iguais. E não há como resolver esta dúvida. O que se pode fazer é comparar medidas de instrumentos diferentes e com uso de argumentos que se baseiam em leis físicas sobre o fenômeno periódico do instrumento, e concluir sobre a precisão de cada um deles. Desta forma fica difícil afirmar como Newton, que o tempo é absoluto, ou seja, “flui igualmente sem relação com nada externo.”

Medidas precisas de intervalos de tempo são essenciais no conhecimento de todos os fenômenos físicos. Entretanto são muito diversos os intervalos de tempo característicos dos fenômenos físicos conhecidos em nossos tempos. Eles vão desde a “idade” estimada do universo, que é da ordem de grandeza de s (10 bilhões de anos), até valores próximos de s, que é o tempo levado pela luz, que tem a maior velocidade possível entre tudo o que existe no universo (m/s), para atravessar um núcleo (raio de m), que é um dos sistemas pequenos do Universo físico.

5-FILME – DÉJÀ VU

Em primeiro lugar vamos definir o que essa palavra de origem francesa significa para nós – O que é o Déjà Vu? – Ela significa uma estranheza de já ter visto ou vivenciado algo – não se trata aqui de dúvida ou confusão, mas sim o de estranheza. Por exemplo: “Não há nada de estranho em não se lembrar de um livro que se leu ou de um filme a que se assistiu; estranho (e aqui se entra no “Déjà Vu”) é sentir que a cena que parece familiar não deveria sê-lo. Tem-se a sensação esquisita de estar revivendo alguma experiência passada, sabendo que é materialmente impossível que ela tenha algum dia ocorrido. Mas, o que é intrigante nesta questão é o fato do indivíduo poder experimentar esta estranha sensação de já ter vivenciado o que lhe ocorre e também de poder relatar, antes de uma observação, quais serão os acontecimentos seguintes que se manifestarão nesta sua experiência.

Cabe lembrar no tópico já visto sobre o “tempo”, que estávamos falando sobre os pensadores e filósofos, tal como: Aristóteles que acreditava na idéia de tempo cíclico e não-cíclico e que tais fenômenos cíclicos e a natureza evoluiriam de forma a se repetir. Quem sabe naquela época eles não experimentaram algo de “Déjà Vu”? Os filmes que vamos analisar têm suas peculiaridades, mas que nos leva a dois fatores comuns, como veremos: O primeiro é a questão do tempo ficcional e a outra a questão do gênero fílmico ao que denominamos de: “Thriller de Ficção”.

O senso comum diz que um filme de ficção cientifica segundo a crítica cinematográfica, não tem necessidade de ficar restrito ao conhecimento científico corrente. As idéias científicas que expõe suas extrapolações ou especulações sobre ciência e tecnologia, tentam trazer aos filmes do gênero uma construção lógica interna. Embora não tenha nenhum compromisso com a educação científica, mas sim com o livre debate imaginativo, é fato que em diversas ocasiões o gênero desperta no público o interesse pela ciência, chegando a estabelecer algum nível de despertar ou mesmo de motivação para carreira científica.

Segundo, Brian Stableford, autor de “Marriage of science and fiction [(Encyclopedia of science Fiction, London: Octopus, 1978)] – assinala que o primeiro “manifesto” de uma literatura baseada em idéias científicas foi escrito pelo crítico e poeta britânico William Wilson, que defendia, em 1851, uma ficção que fosse veículo de popularização da ciência. Uma segunda tentativa nesse sentido foi feita em 1895 pelo romancista americano Edgar Fawcett, para quem “a ficção imaginativa deveria descobrir novas fontes e nova disciplina nos territórios abertos pela teoria científica”. Ambas as propostas passaram despercebidas.

Hugo Gernsback, engenheiro e editor americano de origem Luxemburguesa, criador da revista Amazing Stories em 1926 – e a quem se atribui a paternidade do termo “ficção científica” – foi escritor tanto de ficção quanto de divulgação científica. Pioneiro do rádio e da televisão, foi o primeiro a enunciar o princípio do radar, em 1911, e grande responsável pela divulgação da ficção científica nos Estados Unidos.

Na linha de Gensback estão Isaac Asinov e Arthur C. Clarke, escritores com formação científica. Clarke, formado em física e matemática, é autor, entre outras obras do gênero, do roteiro de 2001: uma odisséia no espaço (1968), juntamente com Stanley Kubrick. Escreveu competentes livros de não-ficção ou divulgação científica, como Perfil do futuro (Vozes), e ficou famoso por antever tecnologias como o satélite artificial e a rede de comunicações mundial. Asinov, doutor em bioquímica e professor da Universidade de Boston, foi autor não só de romances e contos de ficção – como a série Fundação ou Eu, robô – mas também de livros de divulgação científica como O código genérico (Cultrix). Pela inventividade e qualidade literária, as obras ficcionais tanto de Clarke quanto de Asinov não só refletem a paixão pela ciência, como também incorporam a vocação didática desses autores.

O Filme em questão foi classificado como do gênero: “Ação-Aventura” – gênero do qual discordamos pelas razões que serão apresentadas neste trabalho. Para tanto, classifico-o como um “Thriller de Ficção”

O filme foi apresentado ao público como:

Gênero: Ação-Aventura

Estúdio: Touchstone Pictures

Direção: Tony Scott

Roteiro: Terry Rossio, Bill Marsilii

Produção: Jerry Bruckheimer

Elenco: Denzel Washington (Doug Carlin), Jim Caviezel (Oerstadt), Matt Craven (Larry Minuti), Adam Goldberg (Denny),Bruce Greenwood (Jack McCready), Val Kilmer (Agente Pryzwarra), Marel Medina (Navy Sailor), Paula Patton (Claire Kuchever), John McConnel (Xerife Reed), Brian F. Durkin (Oficial da Guarda Nacional), Henrique Castillo (Pai de Claire), Mark Phinney (Agente Donnelly), Donna W. Scott (Beth)

As filmagens se iniciaram em Agosto de 2005 na cidade de New Orleans e logo interrompidas pelo furacão Katrina, que ocasionou um estrago muito grande na cidade, levando a desistência de Tony Scott das filmagens. Decorrido três meses da catástrofe, a cidade estava praticamente reconstruída e o diretor Tony Scott reconsiderou e retomou as filmagens.

O filme começa mostrando marinheiros e civis entrando numa balsa que os levariam a uma festa, havia 543 passageiros a bordo. Eram 10hs48 de uma terça-feira gorda, e ouve-se uma música – (“Don’t worry Baby” dos Beach boys), e uma garotinha deixa cair uma boneca do barco na água e logo depois se segue de uma explosão e varias pessoas são lançadas ao mar ocasionando a morte de centenas de pessoas.

Um agente da ATF – (Agência do Governo Americano especializada em álcool, fumo, armas de fogo e explosivos) foi convocado para investigar as causas da explosão. O agente é Doug Carlin (Denzel Washington) que aparece na cena do acidente e começa sua investigação. Olhando os corpos das vítimas cobertos com plásticos nota um celular entre as mesmas tocando.

Na praia, Carlin encontra entre os destroços, plásticos de fios queimados – em seguida liga para ATF e fala com Denny (Adam Goldberg).

Depois um agente do FBI o encontra na ponte, esse agente procurava seu parceiro Larry Minuti (Matt Craven), mas estava de férias segundo o agente Carlin. O fato que o agente do FBI ajuda o Carlin a subir por debaixo da ponte e assim Carlin detecta que a ponte estava com ANFO.

Anfo – é uma mistura de Nitrato de Amônio e Óleo Diesel – composta de 94,3% de Nitrato de Amônia e 5,7% de Óleo Diesel e é usado para fazer explosivo. E também nos combustíveis de veículos como o de uma caminhoneta americana. (O que é intrigante aqui é que o Agente Carlin acha embaixo da ponte óleo de caminhonete com fragmento de explosivo, mas no início a caminhonete explode dentro do barco e bem longe da ponte. – Será que o Sr. Tony Scott não observou isso?).

Em seguida o agente Carlin fala ao responsável da investigação do FBI que se trata sim de uma investigação de crime pelas evidências encontradas.

No retorno a ATF Carlin vendo o filme da ponte, recebe a informação de seu colega de trabalho que uma mulher havia ligado e o número se encontrava num papel de bala. Carlin liga retornando a ligação e deixa seu número na secretária eletrônica. Assistindo o filme da ponte observa o suposto assassino mijando na ponte. – Sai em seguida e pega um bonde – 965 e no interior do mesmo recebe a informação de que havia sido encontrada uma mulher às 10hs42 chamada Claire Kuchever (Paula Patton) – Na análise do corpo observa as queimaduras, dedos cortados, falta um brinco no lado esquerdo e observa marca de fita adesiva na boca, daí Carlin segue para casa do pai da Claire, para fazer as identificações e colher informações. O pai da moça informa ao agente que ela ficou de apanhá-lo no aeroporto às 7hs29. O pai de Claire entrega ao agente Carlin fotos da filha e depois o agente vai até a casa de Claire. Lá ele observa uma arma, toalhas sujas de sangue, letras de fixar na parede dizendo: “você pode me salvar” e outra mensagem dizendo “Ressuscita-me”, o ventilador de teto no quarto estava funcionando e depois ele acionou a secretaria eletrônica – ouviu o recado de sua amiga Beth (Donna W. Scott) passando um recado e em seguida ele ouve sua própria voz (que o deixou bastante intrigado). Lá na casa da Claire ele tocou em várias coisas, mas estava com luvas.

Quando o Agente Carlin saiu da casa da vítima, ele procurou a chefia do FBI para lhes dizer que a moça havia morrido antes da explosão e que seu utilitário havia sumido, e que a vítima tinha ligado para ATF – Ao sair ele vê o carro de seu parceiro de trabalho, Larry Minuti, aí o pessoal do FBI informa-o de que aquele veículo e os demais que ali estavam pertenciam às vítimas que estavam na balsa.

Depois disso o coordenador de investigação do FBI vai atrás de Carlin e o convida para participar das investigações. Ele faria parte de um projeto chamado “Branca de Neve”. Juntos vão a este centro de clip_image010operações.

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Fotos extraídas do Site: http://www.imdb.com/media/rm2954074112/tt0453467

O programa recebe as informações de 7 satélites, mais só 4 ficam vigentes, e as imagens são captadas por ondas de calor de 4 dias e 6 horas atrás – o tempo nunca altera – (a passagem de tempo é a mesma) e os ângulos e as perspectivas podem serem observadas de maneiras diferentes, dizem os especialistas da área.

O pessoal do laboratório começa a girar a câmara 360º e na verdade não sabiam o que estavam procurando. Então perguntam ao Agente Carlin sobre o que procurar. Daí começam a procurar a casa de Claire. A máquina captava as imagens através das paredes pela emissão de calor, e a partir da aí começaram a observá-la, tentam focar na agenda e nos telefonemas recebidos.

Enquanto eles a observava, o pessoal da ATF tinham ido à casa de Claire, a fim de investigar possíveis vestígios que os levassem a pistas. De lá o colega do agente Carlin liga para ele, que estava acompanhando pela máquina os movimentos de Claire de quatro dias atrás – O colega de Carlin disse-lhe que na casa havia impressões digitais dele em todos os lugares da casa.

(O fato aqui que a última vez que esteve na casa observando ele estava de luvas – assim suas impressões digitais não poderiam estar lá. Aí ele sentiu uma sensação esquisita pelo fato ocorrido. – Será que ele podia ter já estado lá ou não?)

Observando a moça, derrepente ela nota uma sensação esquisita de estar sendo vigiada. Eles giram a câmara internamente e externamente 360º e não vêem nada ao redor ou presença de alguém. Aí Carlin percebe que são eles que a estão vigiando.

Continuando observando eles vão colhendo informações e começa a transparecer um interesse mais forte e mais próximo do agente da ATF pela jovem assassinada. Carlin vai ao enterro de Claire e se apercebe que o assassino tinha estado no funeral.

Carlin novamente acompanhando os passos da jovem num tempo de quatro dias atrás – vêem que ela recebe uma ligação de alguém interessado na compra de seu carro. Ela fornece ao indivíduo o endereço dela e o cidadão estabelece o dia para ir ver o veículo. Através de uma câmara na cabine telefônica eles conseguem ver o individuo e também uma bolsa que o mesmo carregava.

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Foto extraída do Site: http://www.imdb.com/media/rm2954074112/tt0453467

Assim usando um programa de reconhecimento facial na bolsa eles conseguem localizar quem a transportava na cidade durante aquele período de tempo e chegam ao indivíduo que estava próximo ao porto.

Novamente observando Claire, o Agente Carlin tira uma caneta de luz infravermelha e aponta para a tela em direção a Claire, e nota que o feixe de luz atravessou o espectro e fez a perceber da luz.

Neste ponto o Agente Carlin descobre que é possível tele-transportar, algo para o passado, talvez uma pessoa ou um objeto. Aí os cientistas ali da sala queriam explicar-lhe que era impossível tal fato.

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Fotos extraídas do Site: http://www.imdb.com/media/rm2954074112/tt0453467

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clip_image022Diagrama de mergulho de um wormhole. O universo superior está representado acima do plano. O universo inferior é uma imagem espelho do universo superior.

Mencionaram até sobre física quântica e sobre a “Ponte de Einstein-Rosen”, como abaixo.

Os wormholes foram descobertos matematicamente como soluções das equações de campo, por Flamm, em 1916, poucos meses depois de estas terem sido formuladas por Einstein. Em 1935, Einstein e Rosen, numa tentativa de construir um modelo geométrico de uma partícula elementar, encontraram soluções que representavam o espaço físico por dois planos idênticos, sendo a partícula uma ponte de ligação entre os dois planos. Esta solução posteriormente ficou conhecida como a “Ponte de Einstein-Rosen”.

(extraída do site: http://www.zamandayolculuk.com/cetinbal/astronomo.htm)

Mas o Agente da ATF queria saber mais se a moça estava morta ou viva, quebra então, um monitor de computador para fazer uma comparação, dizendo: “Eu quero saber se ela está morta ou ela está viva” apontando ao monitor e a tela respectivamente para fazer uma comparação. Então eles dizem-lhe que ela está viva. Daí discute uma forma de se comunicar, e decidem enviar um bilhete para o local de trabalho do Agente Carlin – um bilhete é enviado e quem o apanha é seu parceiro Larry Minuti. Este vai atrás do assassino no caís. Acompanhando-o pela máquina do tempo eles vêem o Minuti levar tiros (leva os tiros mais não morre) e é colocado na caminhoneta pelo terrorista, Oerstadt (Jim Caviezel). Depois Oerstadt sai com a caminhoneta e o pessoal que o observa pela máquina do tempo começa a perder o sinal. Aí os especialistas falam para o Agente Carlin que alguém tem que sair com os óculos especiais. Carlin, então, sai com uma caminhonete e com os óculos especiais que lhe permite ver o passado há quatro dias, entretanto no presente dirigindo com tráfico intenso e às vezes na contra mão, numa perseguição e com as imagens de dia no tempo real e noite a quatro dias atrás. (O que é interessante aqui que ele gira a câmara 360º – o foco não é muito nítido por causa dos espelhos e nos deixam a impressão de estarmos assistindo há um filme rodado à noite e muito antigo – também a o fato de que Agente da ATF acaba colidindo com uma carreta e seu carro apenas tem o farol quebrado e não amassado, nenhum outro amassado é visível no filme). Enfim o agente chega a uma casa de campo, e lá ele vê uma ambulância e o local totalmente destruído e fica com a câmara posicionada a aonde ocorreu o assassinato de seu colega Minuti. Seus parceiros no laboratório estavam vendo que o agente Minuti ainda se encontrava com vida, daí o assassino banhou o corpo do Minuti com gasolina e atirou nele e depois colocou fogo.

Ainda no local o Agente Carlin acha o brinco da Claire, e percebe que, o assassino teve o seu veículo furado de balas e que agora lhe resta o veículo da Claire, o que lhe pareceu é que, ele mudou uma peça mais não alterou o curso do tempo.

A polícia consegue localizar o terrorista, Oerstadt (Jim Caviezel) e aí ele é interrogado pelo Agente Carlin – no interrogatório Oerstadt disse ao agente que ele fez aquilo não por vingança mas para mostrar ao governo que ele tinha condições de servir o exercito e que as mortes não foram assassinatos, mas sim baixas de guerra e assim consegue a confissão do terrorista.

Enquanto o pessoal do FBI estava dando o caso por encerrado, Carlin não estava satisfeito com o termino das investigações e queria ir mais além. Na verdade o que se supõe, neste ponto, é que ele queria usar o equipamento do governo para voltar ao passado e mudar as coisas.

Então, Carlin não satisfeito com a decisão dos superiores telefone para o operador do projeto branca de neve e pede para ele aguardá-lo. Daí ele volta à casa de Claire e vêem na parede as fotos e a mensagem “Você pode salvá-la” – “Igreja Batista – Reviver”. Depois retorna ao laboratório e entra na câmara de tele-transporte – e seu colega que opera a máquina lhe informa – “a balsa explode às 10hs50 da terça-feira gorda”

Daí Doug viaja pelo tempo e aparece numa cama do hospital próximo a cirurgia e em estado de choque e no seu peito estava escrito “Me Ressuscite”, o pessoal do hospital aplicou choque elétrico para ressuscitá-lo e assim ele voltou à vida. Depois ele se veste e rouba uma ambulância e se dirige a casa de campo, local aonde seu parceiro Minuti foi assassinado.

Na casa de campo estava o bandido com a Claire amarrada e com sua cabeça coberta com um capuz, e em seguida ele despeja no corpo dela combustível. Enquanto o terrorista pegava o alicate para cortar os dedos da Claire, chega Doug Carlin com a ambulância se dirigindo em direção a casa. Oerstadt vendo-o que se lançaria com a ambulância para o interior da casa, ele começa disparar contra o agente Carlin e acerta um tiro nele, abre depois o gás e sai da casa e disparando ocasionando uma explosão.

O que é interessante é até fantasioso que o Agente Carlin consegue tirar a moça embebida em combustível saindo do meio do fogo, ocasionado pela explosão, sem nenhuma queimadura.

Depois tira a moça do local em direção a casa dela. Neste momento ele tem 1h40 para resolver tudo. Na casa ele pede para a moça tomar um banho enquanto ele tira o sangue do corpo, para poder enfaixar e estancar o sangue. Nesse ínterim a Claire pega uma arma e aponta para ele o faz deitar no chão, porque ela tinha duvidas, se aquilo que ele estava dizendo era realmente a verdade. Aí ele pede para ela ligar para ATF e perguntar por ele, e é o que ela faz. Quem atende é o Agente Donnelly que descreve o agente Carlin para ela e anota o telefone dela num papel de bala.

Aí o agente Carlin tenta convencê-la de que aquilo que ele havia dito era verdade. E diz a ela: “Se você tivesse que contar a coisa mais inacreditável do mundo a alguém, mesmo sabendo que ninguém acreditaria o que você faria?” ela diz: “Eu tentaria – a gente nunca sabe o que as pessoas podem acreditar.”

Depois ele verifica que o tempo está avançando e ele precisa agir rápido e diz que ela deve ir junto com ele ao caís. Neste momento toca o telefone e ele diz: “espere é sua amiga Beth (Donna W. Scott)” ele antecipa a conversa dela, e ela fica meio espantada. Depois vão as Docas.

Nas docas eles localizam o terrorista e estava usando roupa militar, então Carlin pede para ela ficar lhe aguardando enquanto ele vai atrás da bomba para desarmá-la. Mas a mulher não consegue ficar parada olhando e pula na balsa e depois é pega pelo terrorista, que a amarra dentro da caminhoneta com a bomba dentro. Os seguranças da balsa vêem o Oerstadt e tenta tirá-lo do local e aí ele mata os seguranças. O Agente Carlin se aproxima do terrorista e começa tentar dialogar com o terrorista para chamar a atenção para que a Claire possa jogar o carro em cima do terrorista. Usando as palavras do terrorista que Carlin havia conseguido na confissão do mesmo há quatro dias no futuro – isso chama a atenção do terrorista e dando tempo para que Claire avance com o veículo e o prense entre os carros, e foi o que aconteceu, neste ponto Oerstadt prensado entre os carros, mais armado deu tempo para que o agente Carlin o acertasse.

Entrando depois no veículo onde estava Claire, o agente foi tentar desarmar a bomba, mas a polícia chegou e não sabendo da situação estava de toda a forma tendo-os parar. Daí Carlin pediu para Claire pisar fundo no acelerador e se lançar ao mar. Com o veículo no mar Carlin, conseguiu quebrar o pára-brisa do carro e soltar Claire e ela consegue submergir sem maiores problemas e se salvar.

O que é intrigante também é que estando o agente Carlin solto dentro do veículo, que estava no mar e que havia soltado a Claire que estava presa ao volante – e o veículo sem pára-brisa. Não dá para entender porque ele não saiu do veículo.

Depois a bomba explode no carro submerso e longe da balsa, salvando assim todo aquele povo que haviam pegado a balsa. Daí a Claire ficou aguardando no porto porque um policial havia dito a ela que um agente da ATF queria fazer-lhe algumas perguntas – e ali estava abatida pelo ocorrido quando para a surpresa dela o agente que iria fazer-lhe perguntas era o agente Carlin da ATF. Ele chega e pergunta se ela está bem e ela o chama pelo nome, aí ele pergunta se ela o conhece. Ela diz que sim, e ele a leva de carro repetindo o que ele havia dito a ela em sua casa. O que ele faria se ele tivesse que contar uma coisa mais inacreditável do mundo, sabendo que ninguém acreditaria, ele diz: “eu tentaria” e ai o filme se fecha com a canção no rádio dos Beach boys – “Don’t worry Baby”.

Música: Don’t Worry Baby – (Beach Boys)

Well, it’s been building up inside of me

Bem, está crescendo dentro de mim

For oh, I don’t know how long.

Há oh, eu não sei quanto tempo.

I don’t know why, but I keep thinkin’

Eu não sei por que, mas continuo pensando

Something’s bound to go wrong..

Que alguma coisa está para dar errado

But she looks in my eyes

Mas ela olha em meus olhos

and makes me realize

e me faz perceber

and she says,

e ela diz,

“Don’t worry baby

“Não se preocupe baby

Everything will turn out alright.

Tudo ficará bem.

Don’t worry baby.”

Não se preocupe baby.”

I guess I should have kept my mouth shut

Eu acho que deveria ter mantido minha boca fechada

When I started to brag about my car,

Quando eu comecei a reclamar do meu carro,

But I can’t back down now

Mas eu não posso voltar atrás agora

Because I pushed the other guys too far

Porque eu pressionei demais os outros caras

She makes me come alive

Ela me faz ficar vivo

And makes me wanna drive

E me faz querer dirigir

And she says,

E ela diz,

“Don’t worry baby.

“Não se preocupe baby.

Everything will turn out alright.

Tudo ficará bem.

Don’t worry baby.”

Não se preocupe baby.”

She told me, “Baby, when you race today

Ela me disse, “Baby, quando você correr hoje

Just take along my love with you

Apenas leve meu amor junto com você

And if you knew how much I love you, baby

E se você soubesse o quanto eu amo você, baby

Nothing could go wrong with you.”

Nada poderia dar errado com você.”

Oh, what she does to me

Oh, o que ela faz comigo

When she makes love to me

Quando ela faz amor comigo

And she says,

E ela diz,

“Don’t worry baby.

“Não se preocupe baby.

Everything will turn out alright.

Tudo ficará bem.

Don’t worry baby.

Não se preocupe baby.

Everything will turn out alright.

Tudo ficará bem.

Don’t worry baby.”

Não se preocupe baby.”

6-ANÁLISE DO FILME “DÉJÀ VU”

6.1 – TÍTULOS SUGESTIVOS PARA O FILME

A THEORY

O porquê de um título “Uma Teoria

Conforme os dicionários “Teoria” significam – o conhecimento especulativo, puramente racional. O substantivo significa ação de contemplar, olhar, examinar, especular e também vista ou espetáculo. Também pode ser entendido como forma de pensar e entender algum fenômeno a partir da observação.

6.2 – GÊNERO

THRILLER DE FICÇÃO CIENTÍFICA

6.2.1 – Thriller – Uma palavra inglesa que significa: coisa impressionante ou emocionante – romance ou novela – romance criminal

6.2.2 – Ficção Científica: Como já descrevemos antes em que consiste a postura ficcional, ao abordarmos a intenção ficcional. A noção de intenção ficcional trabalha a questão do ponto de vista do autor, a de postura ficcional que se refere ao ponto de vista do público. O autor pretende que o público adote uma determinada atitude com relação ao conteúdo proposicional de sua historia. Essa atitude é a postura do público. Quando a obra é uma ficção, a atitude ou postura é a de imaginação. A postura ficcional implica, portanto, que o público imagine o conteúdo proposicional de uma estrutura de signos com sentido – sejam estes palavras, imagens, seja outra coisa qualquer.

Nossa análise, até aqui, afirma que uma estrutura de signos com sentido é ficcional apenas quando envolve a adoção, pelo público, de uma postura ficcional, com base em seu reconhecimento da intenção ficcional do autor. Porém esse conjunto: ponto de vista do autor, postura ficcional do público, signos e imagens, palavras e indícios levam-nos a caracterizar o filme Déjà Vu como do gênero de ficção.

6.3. MÚSICA – É importante para o diretor comunicar um conceito da estrutura total de som – diálogos, efeitos sonoros e música – ao compositor. O compositor (escritor) fica com uma parte do quadro, e o diretor deve assegurar que cada parte complemente o todo. Cada unidade de música é referida como um (indício) papel a desempenhar no curso da ação. Dentro de cada “indício” pode haver importantes momentos que a música vai destacar. Estes vão ser determinados nas sucessões de imagens, antes do diretor e compositor estabelecerem os pensamentos harmoniosos sobre a colocação do estilo de música, embora geralmente as tomadas de imagens sejam feitas em um único dia. Seguindo essa sucessão, o compositor estará disponibilizando uma cópia do filme, normalmente num vídeo formatado com um código de tempo inserido visivelmente na parte inferior de cada tomada. As sessões de imagens, com a música ou efeitos sonoros, devem ser focadas numa tarefa manual. Assim se ver algo nas imagens que você queira mudar, faz-se uma nota dela e a salva para mais tarde. Não se faz corte para recortar as imagens durante a sessão. Segundo:

Goodell, Gregory. Independent feature film production, A Complete Guide from Concept through Distribution- St. Martin’s Griffin-New York-(Press, 175 Fifth Avenue, New York, N.Y. 10010).

6.3.1. A música (“Don’t worry Baby” dos Beach boys) é tocada nas rádios em Nova Orleans, no início e no final do filme. Como acima exposto, Gregory Goodell afirma que toda música destaca pontos importantes do filme. Seguindo essa informação podemos notar que a música usada por Tony Scott, no início e final, retrata no Filme o lado sentimental entre os personagens Doug Carlin e Claire Kuchever, este sentimento cresce no desenrolar das cenas, e a fim de demonstrar isso retiramos doze frases da música para descrever o que estamos dizendo, a saber:

1. Está crescendo dentro de mim;

2. Eu não sei por que, mas continuo pensando

3. Eu não sei quanto tempo.

4. Alguma coisa está para dar errado

5. Mas ela olha em meus olhos

6. E me faz perceber

7. E se você soubesse o quanto eu amo você, baby

8. Não se preocupe baby.

9. Tudo ficará bem.

10. Ela me disse, “Baby, quando você correr hoje

11. Apenas leve meu amor junto com você

12. Oh, o que ela faz comigo

Na primeira frase o agente Carlin fica observando a Claire como um voyeur e algo vai crescendo dentro dele como uma atração forte.

Mas ele continuava pensando nela e às vezes confuso por que não tinha idéia de quanto tempo aquilo pudesse durar. E não tinha certeza de que tudo pudesse dar certo; depois ela o fazia perceber, de que ele tinha que fazer algo para salvá-la, e mesmo sabendo dos riscos, de se tele-transportar, julgou que valeria apenas, pois como toda teoria, podia ser que desse certo.

Carlin a beija na cena final antes da perseguição ao terrorista. Foi como se ele quisesse dizer: “E se você soubesse o quanto eu amo você, baby” e a aceitação por ela, foi como ela dissesse: “Não se preocupe baby – tudo ficará bem.” – E divagando um pouco mais, quando ele vai atrás do terrorista, é como se aí, nesse momento, ela quisesse dizer-lhe: – “Apenas leve meu amor junto com você.”

E no termino quando ela entra no carro e toca esta música é como se ele dissesse: “Oh, o que ela faz comigo.”

6-4. Sobre a Explosão – As pistas são destacadas fortemente no início, dando ao espectador os indícios de um ato terrorista, visto que a balsa levava além de civis, grande quantidade de marinheiros. Entretanto dois fatores nos chamam atenção que podiam ser mais trabalhados. O primeiro é que tal plástico azul envoltório dos fios que faziam partes dos explosivos não ficariam espalhado por todo cais, como foi declarado pelo agente Carlin. Pelas seguintes razões: a quantidade era muito pequena como se pode ver dentro do veículo na balsa, segundo pela distância que a balsa se mantinha da margem. Precisaria como ele disse para ser verdade uma quantidade muito maior e mesmo assim não ficariam tão azuis como foi mostrado na cena.

O outro ponto a se comentar é sobre o ANFO, encontrado embaixo da ponte. Sabemos que o ANFO contém uma grande quantidade de Nitrato de Amônia e que o mesmo é utilizado na fabricação de explosivo. Para que tal camada estivesse depositada em baixo da ponte necessitaria de ter havido uma explosão bem de baixo da ponte, o que não ocorreu. A cena do filme mostra a explosão da balsa longe da ponte, assim não seria possível ter tal componente químico sob a ponte, e se isso ocorresse a estrutura da mesma seria abalada.

6-5. SOBRE O TEMPO

Vimos até o momento os tópicos: 1-Gênero; 2-Ficção e Não-Ficção; 3-O significante imaginário; 4-Uma visão do tempo; 5-Filme-Déjà Vu e 6-Análise do Filme Déjà Vu para chegarmos neste item 6.5 – Sobre o Tempo.

Tempo este que tem sido abordado e discutido pelo senso comum, pelos cientistas, pela arte, literatura, cinema e outros.

Vamos abordar um pouco sobre viagem no tempo:

Viagem no Tempo

Na teoria da relatividade geral de Einstein, o tempo se acelera e desacerela quando passa por corpos massivos, como estrelas e galáxias. Um segundo na Terra não é um segundo em Marte. Relógios espalhados pelo Universo se movem com velocidades diferentes.

Em 1935, Einstein e Nathan Rosen (1909-1995) deduziram que as soluções das equações da relatividade geral permitiam a existência de pontes, originalmente chamadas de pontes de Einstein-Rosen, mas agora chamadas de redemoinhos ou buracos de minhoca (wormholes). Estas pontes unem regiões do espaço-tempo distantes. Viajando pela ponte, pode-se mover mais rápido do que a luz viajando pelo espaço-tempo normal.

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Antes da morte de Einstein, o matemático Kurt Gödel (1906-1978), trabalhando na Universidade de Princeton, como Einstein, encontrou uma solução para as equações da relatividade geral que permitem a viagem no tempo. Esta solução mostrava que o tempo poderia ser distorcido por rotação do Universo, gerando redemoinhos que permitiam que alguém, movendo-se na direção da rotação, chega-se ao mesmo ponto no espaço, mas atrás no tempo. Einstein concluiu que como o Universo não está em rotação, a solução de Gödel não se aplicava.

Em 1955 o físico americano John Archibald Wheeler (1911-), que cunhou o termo buraco negro, escreveu um artigo sobre "geometrodinâmica" mostrando que as pontes de Einstein-Rosen poderiam ligar não somente Universos paralelos, mas regiões do mesmo Universo, formando um túnel no espaço-tempo.

Em 1963, o matemático Roy Patrick Kerr (1934-), da Nova Zelândia, encontrou uma solução das equações de Einstein para um buraco negro em rotação. Nesta solução, o buraco negro não colapsa para um ponto, ou singularidade, como previsto pelas equações para um buraco negro não rotante, mas sim em um anel de nêutrons em rotação. Neste anel, a força centrífuga previne o colapso gravitacional. Este anel é um redemoinho (wormhole) que conecta não somente regiões do espaço, mas também regiões do tempo, e poderia ser usado como máquina do tempo. A maior dificuldade é a energia: uma máquina do tempo necessita de uma quantidade fabulosa de energia. Seria preciso usar-se a energia nuclear de uma estrela, ou antimatéria. O segundo problema é de estabilidade. Um buraco negro em rotação pode ser instável, se acreta massa. Efeitos quânticos também podem acumular-se e destruir o redemoinho. Na verdade a teoria prevê que os redemoinhos (buracos de minhoca) sobrevivem somente uma fração de tempo tão curta que nem a luz consegue atravessá-lo. O outro grande problema de usar um buraco negro como ponte é que a força de maré de um buraco negro estelar é tão grande que despedaçaria qualquer corpo que se aproximasse do seu horizonte. Portanto, embora teoricamente possível, uma viagem no tempo não é praticável. Texto extraído dos livros:

Narlikar, Jayant Vishnu (1938), the lighter side of gravity, 2nd Ed, Cambridge 1996

Martin Rees, Before the Beginning, Our Universe and Others, Simon & Schuster, London 1997.

6.5.1 -Podemos dizer que no filme os roteristas Terry Rossio e Bill Marsilii tentam explorar esses conceitos de maneira inteligente e criativa mas com um conhecimento pseudo-cientifico – e numa forma ilustrativa sobre nosso comentário advêm do Agente da ATF e até de uma forma brilhante o personagem Doug Carlin a coloca: “E se isto tudo for algo maior do que a Física?” Neste ponto foi fácil imaginarmos os dois roteiristas piscando para a platéia, como se dissessem “Isto é maior do que a Física, é Cinema.”

.6.5.2 – Com efeito, vemos um bilhete sendo tele-transportado através da máquina do tempo de propriedade do Governo Americano – com seus conceitos físicos aplicados. Exigindo energia que provocou um apagão.

6.5.3 – O Tele-transporte de um humano – mesmo o agente Carlin sabendo de todos os riscos – que tudo volta morto – que as cargas eletromagnéticas parariam o coração – O Agente resolve correr o risco para salvar a “garota” e as “vitimas da explosão.” Destaca aqui o herói de Hollywood – um ato de bravura, mesmo tendo incerteza do sucesso. Mas, como o próprio agente disse: “É uma teoria.”

6.6 – Câmaras

Tony Scott insiste em manter em seus trabalhos, imprimindo a seus filmes um estilo frenético e ainda inegavelmente adequado a longas metragens de puro entretenimento.

Vemos na cena em que Denzel avalia a destruição, cortes rápidos que passam das vítimas e de volta ao semblante sério do ator. Um pouco de câmara lenta aqui e ali, umas pistas colocadas estrategicamente para dar algo para o espectador pensar algumas dezenas de minutos mais tarde. – essa sinopse soa como um videoclipe de cerca de 5 minutos, e é exatamente essa estética que Tony Scott insiste em manter em seus trabalhos.

Nas telas do Projeto Branca de Neve – vemos os giros rápidos da câmara – de até 360º.

Dentro do veículo – com os óculos especiais – vemos cortes rápidos e movimentos frenéticos da câmara e os giros de 360º.

6.7 – PERSEGUIÇÃO

O agente Carlin sai em uma caminhonete como os óculos especiais vendo ao mesmo tempo o presente e o passado – preocupado em perseguir o terrorista – dirige na contramão, ocasiona acidentes e não acontece nada com ele. Até mesmo se depara de frente com uma carreta vindo em alta velocidade e colide com seu veículo e nada acontece – seu carro só tem um dano no farol, e nem um amassado.

6.8 – O VIAJANTE DO TEMPO

O que acontece com o viajante – ele é ressuscitado e mesmo com um tiro, perdendo uma grande quantidade de sangue, consegue perseguir o terrorista e depois ele entra em um veículo, consegue salvar a moça, e ele não se salva morre. Então vemos que o cidadão do futuro morre e o do passado aparece em cena procurando pela Claire – e ainda ele diz a ela:… “Já nos conhecemos”

7 – COMENTÁRIOS

O longa de uma forma geral nos trás alguns pontos interessantes, e podem servir para debates em salas de aulas, tais como:

7.1. Temas para discussões em salas de aulas:

a) A intenção em salvar vidas humanas;

b) A determinação; a coragem;

c) A busca por meios até desconhecidos a fim de encontrar uma solução;

d) A visão negativa – busca por interesses próprios – não importando suas conseqüências; causas futuras…?

e) Política, governo…

f) Prevenções, Interesses intrínsecos, etc.

g) Enfrentar os problemas por mais difíceis que se apresentem, mesmo correndo risco de vida – mas sempre avaliando suas causas e conseqüências futuras.

h) O cinema e suas influências na vida – O que contribui? Seus efeitos – Fatores Positivos e Negativos no espectador, etc.

7.2 A ficção científica

A ficção científica é uma narrativa resultante do processo da tecnociência e sua construção só foi possível por seus autores procuraram explicitar as possibilidades ficcionais que a tecnologia de cada época, cada tempo, permitia. Acabaram por obter assim, uma interseção entre narrativas, relatos e técnicas, ou seja, entre a arte e a ciência, cruzando as criações tecnológicas com os diálogos narrativos, ficcionais e literários. Como conseqüências diretas diminuíram as distâncias entre o universo científico, a linguagem da arte e a vida cotidiana. No entanto, não conseguiram representar tal ciência e tal tecnologia fora da percepção daquilo que “não existe” e como tal “não é possível” e apresentaram, para muitos uma arte que, exatamente por isso, amplia a ficção, visto que não temos alienígenas robóticos e inteligentes, os campos de força, viagens ao hiperespaço, computadores como o HAL, viagens no tempo, não temos uma morada no espaço, teletransporte, missões permanentes em outros planetas, enfim, toda uma criação cientifica, mas absolutamente ficcional aos nossos olhos hoje.

Mas de certa forma, falando de um ponto de vista de senso-comum, é essa mídia, essa abordagem científica que encanta nossos jovens, e isso impulsiona o interesse pela ciência, pelas pesquisas. E como disse Tony Scott: “não sou um homem de ciência, mas eu sei que até pouco tempo atrás não tínhamos celular e hoje temos –… e os recursos que hoje neles temos, são fantásticos. e como será o amanhã…?”

O tempo objeto de minha análise – sempre foi preocupação da humanidade e remonta a antiguidade, e ele está diretamente relacionado com a velocidade e que produz a aceleração e isso levou o homem a lua e naves espaciais a outros mundos. Segredos foram desvendados e temos muito mais a desvendar.

7.3 – Gênero

Aqui para melhor explicitá-lo pego as palavras de René Wellek & Austin Warren – que diz: “Acreditamos que o gênero deva ser concebido como um grupo de obras literárias baseado, teoricamente, tanto nas formas externas (métricas ou estrutura específicas) como internas (atitudes, tom, objetivo – de modo mais direto, conteúdo público).” E digo mais, que é esse conjunto todo, e também aquilo que seu criador determinou e esperou que o espectador o confirmasse através de um conjunto de elementos, signos, linguagem e amostras que os levaram a definir o gênero. Dentro deste conjunto de elementos e revendo o filme por várias vezes e comparando com o filme que vamos analisar a seguir é identificamos o filme como de ficção, mas não só de ficção – é um Thriller de ficção.

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