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O INOCENTE

Título orginal: L´innocente.

Produção: Itália, França / 1976.

Direção: Luchino Visconti.

Elenco: Gioncarlo Giannini, Laura Antonelli, Jennifer O´Neil, Massimo Girotti.

Distribuição: Poletel, 97 minutos.

 

O INOCENTE

O inocente foi o último filme de Luchino Visconti, um dos mais expressivos nomes do cinema italiano, com uma vasta produção de excelente qualidade, destacando-se, entre outras obras, Rocco e seus irmãos e O leopardo. foi um dos pioneiros do neorealismo italiano, sendo o filme A terra treme homenageado por Giuseppe Tornatore em cinema Paradiso.

Lançado em 1978, O inocente é uma adaptação da obra literária de Gabriele D`Annunzio e a história surge da própria leitura do livro, logo nas primeiras cenas.

Trata-se de um drama ambientado no século passado, com cenário de época perfeitos e com figurinos confeccionados com requinte e arte. Um aristocrata romano, Tullio Hermil (Giancarlo Giannini), recusa-se a ceitar o filho porque suspeita do adultério da mulher (Laura Antonelli.

A trama coloca uma nítida oposição entre a postura do marido, disposto a tudo para preservar a honra da família, e a posição ética da mulher, em defesa da vida. Enfoca também o caráter machista da sociedade italiana. As cenas de luta de esgrima evocam uma época em que as questões de honra eram resolvidas pelo duelo.

Defedendo sua liberdade de sentimentos, Tullio procura convencer a mulher de que deve aceitar seu envolvimento amoroso com a amante, Teresa Ruffo (Jennifer O`Neil, de Verão de 42).

Ao saber da gravidez da mulher, mais tarde, julga-se violentado em sua honra diante da perspectiva de um filho ilegítimo, e passa a exigir dela uma atitude drástica. A mulher, porém, nega-se a atender a seu pedido.

O filme enfoca questões de ordem ética e religiosa. Em primeiro lugar, mostra uma concepção machista que exige da mulher fidelidade no casamento enquanto afirma a liberdade masculina para as aventuras amorosas. Em seguida, e como conseqüencia, o enredo indica a permanência de uma noção de honra que permite ao homem um direito irrestrito sobre a liberdade  e a vida da mulher e dos filhos. O inocente também apresenta uma oposição entre a visão de mundo materialista e a espiritualista.

Este último aspecto, que enfoca o contraste entre uma visão de mundo fechada e sob o controle humano, e uma outra, aberta para o mistério, é enfatizado nas cenas finais. Diante da amante, Tullio defende de forma intransigente e coerente a primeira posição: "Eu sou ateu. Sei que os meus erros não se resgatam com arrependimentos, impondo-me punições. Sou um homem livre!" Em seguida, acrescenta: "No dia em que não sentir mais o prazer da vida, e não tiver mais nenhuma curiosidade, acabo com ela". Ele se revolta contra as pessoas que, como a mulher, recusam-se a aceitar que "nossos problemas são resolvidos aqui na terra". Teresa reage, mostrando que existem momentos em que a vida só tem sentido com uma significação religiosa: "Não sabemos nada daquilo que nos prossegue: "Mas há um momento em que a gente deixa de viver, passando apenas a existir, e começa então a esperar por uma outra vida no céu". A amante insurge-se também contra a organização machista da sociedade: "Por que não nos deixam caminhar juntos sobre a terra, a mulher ao lado do homem, uma criatura ao lado de outra criatura?"

O inocente é um filme de grande densidade dramática e convida a uma reflexão série sobre o sentido da vida humana. 

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