YouTube – Les vacances de M. Hulot – Trailer

 

AS FÉRIAS DO SENHOR HULOT

Título original: Les vacances de monsieur Hulot.

Produção: França / 1953.

Direção: Jacques Tati.

Elenco: Jacques Tati, Nathalie Pascaud, Michel Rolla.

Prêmio: Prêmio da Crítica Internacional em Cannes.

Distribuição: Globo Vídeo, 183 minutos.

 

AS FÉRIAS DO SENHOR HULOT

Um dos cômicos mais importantes do cinema francês e o grande de Max Linder, o diretor Jacques Tati, descendente de russos, nasceu em Paris em 1908 e morreu em 1982.

Sua produção cinematográfica é constituída por verdadeiras obras-primas, como Meu tio, apresentada no volume anterior desta série. Seu primeiro filme foi Carrossel da esperança, lançado em 1948. O segundo. As férias do senhor Hulot, objeto desta análise, foi produzido em 1953 e recebeu o prêmio da Crítica Internacional em Cannes, bem como o prêmio Lous Dellue.

Tati dirige seus filmes com os cuidados de um artesão, cuidando dos mínimos detalhes e transmitindo sempre uma visão poética da realidade. Em As férias do senhor Hulot, o protagonista vai passar férias num hotel de praia e cria constantes confusões na vida dos veranistas. Apesar das melhores intenções, a característica falta de jeito de Hulot acaba sempre gerando situações desagradáveis para as pessoas.

Existem analogias marcante entre Chaplin e Tati, ambos diretores e protagonistas de suas obras cinematográficas. Os dois criaram personagens típicos: Carlitos e Hulot. Tanto um como outro valorizam a imagem como poderoso instrumento de comunicação, utilizando as palavras apenas como um recursos secundário para a compreensão das cenas. Carlitos é a figura idealizada de um vagabundo, dotado de profunda sensibilidade humana, lutando sempre contra o poder do dinheiro e da força física para manter a sua liberdade. Hulot, por seu turno, personifica um cidadão comum, que resiste tenazmente às aspirações burguesas de ascensão social em nome dos valores éticos da solidariedade e do respeito à natureza.

O humor em Tati é sempre inteligiente e sutil, sem recorrer à malícia e à vulgaridade para gerar o riso. No restaurante do hotel, na praia, nas excursões e até mesmo à noite, Hulot está sempre presente, atencioso e prestativo, provocando diversas trapalhadas com sua ânsia de solucionar problemas.

Tati tem uma posição bem definida: proclamar os valores saudáveis da existência humana contra o egoísmo e a ganância gerados pelo sistema de produção capitalista.

Sob o ponto de vista pedagógico, o filme é um incentivo ao lazer como forma de equilíbrio para as freqüentes tensões produzidas pelo trabalho excessivo.

Numa ótica antropológica, assinala a importância da valorização do homem lúdico (homo ludens), numa época em que se afirma o domínio do homem trabalhador (homo faber).

À obsessão pélo trabalho, que gera freqüentemente o esgotamento nervoso, Tati contrapões uma fórmula de vida simples e despreocupada. Numa cena magistral, o rádio transmite um discurso do ministro, exortando a população a viver num regime de austeridade, fazendo poupança como forma de reerguer a economia francesa, enquanto Hulot, desajeitado como sempre, dança prazerosamente com uma colega de férias. Um elemento a mais para a análise da conduta das pessoas durante o período de lazer.

As férias do senhor Hulot é um filme adequado para todas as idades, um entretenimento sadio e agradável, a apologia de valores positivos como a sensibilidade humana, carinho, a emoção e o prazer da vida.

 

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